Resposta e esclarecimento técnico a questionamento sobre as vacinas conjugada ACWY e meningo B contra a meningite meningocócica

Terça-feira, 8 de Maio de 2018

O Centro de Imunização Pro Matre Paulista foi publicamente questionado pelo senhor Marcio Novaes a respeito de evento adverso após vacinação com meningo B e meningo ACWY. Sendo assim, cumpre fazer alguns esclarecimentos por parte do Centro de Imunização e sua equipe médica, que sempre se pautou pela atuação humana e íntegra, seguindo estritamente o recomendado por órgãos de saúde nacionais e internacionais. Obrigado.

“Prezado Senhor,

em resposta a seu questionamento sobre a vacinação infantil realizada no Centro de Imunização Pro Matre Paulista, gostaria de esclarecer alguns pontos importantes, do ponto de vista técnico.

Seguimos as orientações oficiais dos órgãos regulatórios nacionais, neste caso a ANVISA, e seguimos as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), que por sua vez se baseiam em recomendações internacionais. Assim, todo o calendário recomendado no Centro de Imunização Pro Matre Paulista é amplamente discutido visando sempre a prevenção de doenças imuno preveníveis como a poliomielite, tétano, difteria, meningite meningocócicas dentre varias outras enfermidades. Graças a ações de imunização e elevadas coberturas vacinais, conseguiu-se nos últimos anos a erradicação de doenças como a paralisia infantil, o tétano neonatal, a síndrome da rubéola congênita, todas doenças que não seria possível seu controle sem as vacinas.

Nesta linha, realizamos de forma ética e profissional a imunização de todas as faixas etárias, de acordo com as evidencias cientificas e recomendações de órgãos especializados no assunto.

A meningite meningocócica é uma doença grave causada por uma bactéria denominada meningococo (Neisseria meningitidis). Este permanece sendo a principal causa de meningite bacteriana no Brasil. A infecção invasiva pela N. meningitidis resulta em amplo espectro clínico de doença que inclui a meningite, a meningococcemia ou ambas, sendo a meningite a forma clínica mais frequentemente observada. Algumas das características da doença meningocócica (DM), como sua rápida evolução, gravidade e letalidade, assim como seu potencial caráter epidêmico, fazem com que a possibilidade de prevenção desta infecção, através de vacinas, assuma fundamental importância. Este texto é baseado na opinião e publicação do Dr Marco Aurelio Safadi, autoridade nacional e internacional no assunto.

O licenciamento das vacinas meningocócicas C conjugadas (MCC), a partir do final dos anos 90, representou um enorme avanço na possibilidade de controle da DM causada pelo sorogrupo C. Estratégias diferentes de imunização de rotina foram utilizadas na introdução dessas vacinas em vários países da Europa, no Canadá e na Austrália, todas elas acompanhadas de uma dramática redução da incidência de DM causada pelo sorogrupo C, com sucesso no controle da doença pouco tempo após a sua introdução.

Mais recentemente foram licenciadas as vacinas meningocócicas conjugadas tetravalentes (ACWY), em uso rotineiro nos EUA, Canadá e em alguns países da Europa e da América Latina.
No Brasil, as sociedades científicas recomendam o uso rotineiro da vacina meningocócica conjugada para lactentes maiores de 2 meses de idade, crianças e adolescentes.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomendam, sempre que possível, preferir as vacinas contendo os sorogrupos ACWY, inclusive para os reforços de crianças previamente vacinadas com menC.

Em relação ao meningococo do sorogrupo B, após um longo período de investigações na tentativa de desenvolvimento de uma vacina segura e eficaz contra o sorogrupo B, pudemos testemunhar nos últimos anos o licenciamento de vacina recombinante proteicas contra o meningococo B, baseadas em novas tecnologias de produção.

Uma das vacinas que utilizam esta tecnologia, denominada Bexsero®, após licenciamento na Europa, Austrália, Canadá e EUA, também foi licenciada no Brasil, para uso a partir dos 2 meses até os 50 anos de idade. Para os lactentes que iniciam a vacinação entre 2 e 5 meses de idade, são recomendadas três doses, com a primeira dose a partir dos 2 meses e com pelo menos 2 meses de intervalo entre elas e uma dose de reforço aos 12 meses de idade.

Em relação a eventos adversos, temos dados baseados em estudos clínicos antes e após o licenciamento da vacina. A segurança da vacina BexseroTM foi avaliada em 13 estudos, incluindo 9 estudos clínicos randomizados, controlados, com 7.802 indivíduos (a partir de 2 meses de idade) que receberam, pelo menos, uma dose da vacina BexseroTM e com estudo subsequente com 974 adultos jovens. Dentre os indivíduos que receberam a vacina BexseroTM, 5.849 eram lactentes e crianças (com menos de 2 anos de idade), 250 eram crianças (de 2 a 10 anos de idade) e 2.677 eram adolescentes e adultos. Em lactentes e crianças (com menos de 2 anos de idade), as reações adversas locais e sistêmicas mais comuns observadas nos estudos clínicos foram sensibilidade e eritema no local da injeção, febre e irritabilidade. Quando ocorreu febre, ela geralmente seguiu um padrão previsível, a maioria se resolveu no dia seguinte à vacinação. Outros eventos adversos menos frequentes também foram reportados.

A SBIm e SBP recomendam o uso concomitante das vacinas meningocócica ACWY e Meningococica B, em locais distintos.

Desta forma, espero ter esclarecido de forma técnica suas duvidas sobre as recomendações relativas a prevenção deste agravo a saúde infantil.

Att e à disposição,

Rosana Richtmann”